Compreender e Respeitar Posições


Você já se perguntou por que aquela pessoa que você conhece no trabalho fica pedindo sua opinião sobre a maneira como ela deve concluir um projeto ou resolver uma tarefa ou problema? Ou já esteve em uma situação em que deu instruções a um colega e ele saiu e completou a tarefa à sua maneira e em seus próprios termos, sem dar qualquer referência as suas orientações? Viu-se em conversas que tornaram-se discussões por discordâncias?

Como lidar com comportamentos diversos? O conceito de quadros de referência interno e externo pode nos fornecer algumas pistas.

Quadros de referência acabam governando nossas vidas de maneira geral. São constituídos de nossas dores, histórias, relacionamentos, educação parental, crenças e regras, cultura onde crescemos e padrões assumidos.

Na área da psicologia, o quadro de referência foi um termo cunhado pela primeira vez por Carl Rogers, o fundador da terapia centrada na pessoa. Rogers acreditava: “O estado de empatia, ou ser empático, é perceber o quadro de referência interno de outro com precisão e com os componentes emocionais e significados que pertencem a ele como se alguém fosse a pessoa”.

Rogers sentiu que ser compreendido é vital para uma pessoa se sentir segura o suficiente para falar sobre suas dificuldades.


Qual é a diferença entre um quadro de referência interno e um externo?

Alguém com um quadro de referência interno vai dentro de si para verificar se fez um bom trabalho, se tomou a decisão certa, se é o melhor curso de ação a tomar, etc. Aqueles que se orientam pela 'bússola interna' tendem a verificar seu medidor de pensamento para determinar se uma decisão ou escolha é apropriada para uma determinada situação. Se uma pessoa for fortemente interna, você descobrirá que ela regularmente toma decisões ou age sem levar em consideração as necessidades ou desejos das outras pessoas. Pessoas referenciadas internamente também podem ser difíceis de fornecer feedback porque elas sabem dentro de si mesmas que fizeram um bom trabalho e certamente não precisam de qualquer validação ou aprovação de outras pessoas. Elas geralmente precisam de motivos e evidências para o trabalho que fizeram, ou provavelmente não ouvirão.

Alguém com um quadro de referência externo busca feedback de outras pessoas sobre o melhor e mais apropriado caminho a seguir. Essas pessoas ainda têm a bússola pessoal, mas nem sempre a usam. Pessoas prioritariamente referenciadas externamente não têm noção se fizeram um bom trabalho, se uma decisão que tomaram é sábia ou não e se um determinado curso de ação é o melhor. Elas têm poucos critérios de medição sobre como avaliar uma determinada situação. Por esta razão, pessoas referenciadas externamente irão buscar a opinião de outras pessoas e então se comportar de acordo. O quadro de referência externo precisa de muito reforço, apreciação e reconhecimento pelo trabalho que estão fazendo. Essas pessoas precisam ser encorajadas a verificar o interior antes de procurar feedback externamente.

De modo geral, é bom desenvolver alguma flexibilidade neste contínuo de referências interno e externamente. Nós somos os aspectos desses quadros. A visão de mundo de cada pessoa segue essa lógica. Então, se buscamos regularmente os pontos de certo ou errado, tentando influenciar ou impressionar, como aceitar a si e o outro?


Fontes:

Carl Rogers - In A Way of Being






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